O encontro dos fumicultores do Planalto Norte catarinense, realizado nesta segunda (27), reuniu produtores, lideranças e representantes de diversos municípios da região para discutir o futuro da cultura do tabaco, uma das principais fontes de renda agrícola de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. O debate foi motivado pela aproximação da 11ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (COP11), que acontecerá em novembro, em Genebra, na Suíça, e pode definir novas restrições à produção e comercialização do fumo.
Durante o encontro, ficou evidente a preocupação com o possível fim da lavoura de tabaco, caso o governo brasileiro decida seguir o posicionamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), que propõe reduzir gradualmente o cultivo. Representantes da cadeia produtiva afirmaram que a medida seria devastadora para milhares de famílias que há gerações dependem do fumo como principal fonte de renda.
Atualmente, o cultivo do tabaco se concentra em pequenas propriedades, onde famílias inteiras trabalham em áreas que, muitas vezes, não ultrapassam um alqueire. O diferencial está na rentabilidade: enquanto culturas como soja, milho ou feijão exigem grandes extensões de terra e maquinário pesado, o tabaco garante retorno financeiro significativo em pequenas áreas. Essa característica tornou o fumo a base econômica de centenas de comunidades rurais no Planalto Norte, incluindo municípios como Canoinhas, Major Vieira, Irineópolis, Três Barras e Mafra.
Durante o evento, produtores destacaram que não são contrários às discussões internacionais, mas alertam que é preciso responsabilidade na tomada de decisões. Se o cultivo for restringido, o governo precisa garantir um plano de transição econômica. Isso inclui tempo para adaptação, estimado em pelo menos dez anos, políticas de incentivo, capacitação técnica e, sobretudo, garantias de compra das novas culturas que venham substituir o fumo.
Outro ponto abordado foi o simbolismo da lavoura do tabaco para o Planalto Norte. A cultura ultrapassa gerações: avós, pais e filhos compartilham o mesmo trabalho, o mesmo solo e o mesmo sustento. Para muitos, o tabaco não é apenas uma atividade econômica, mas um modo de vida enraizado na história e na identidade regional.
O seminário foi prestigiado por mais de 40 autoridades públicas do Planalto Norte e por produtores de tabaco de várias cidades. Além da prefeita Juliana Maciel, compunham a mesa de autoridades a prefeita de Major Vieira, Aline Ruthes, os prefeitos de Papanduva, Tafarel Schons, e de Bela Vista do Toldo, Dinei Berdnaski (em exercício), o presidente da Afubra, Marcílio Drescher, os presidentes dos sindicatos Edmilson Verka (dos produtores rurais) e Romualdo Stein (dos trabalhadores rurais), os vereadores Marcos Homer (representando os presidentes das Câmaras do Planalto Norte) e Emerson Gabriel Woiciechovski (representante dos vereadores da região), além de Eraldo Konkol, Gilmar Cavalheiro e João Colli, representando os produtores rurais. Também participaram Gildo Stocker, representando os secretários municipais de Agricultura, e Márcia Kohler, presidente do Sicoob Credicanoinhas.
A presidente do Sicoob Credicanoinhas, Márcia Kohler, também se manifestou durante o encontro e defendeu que os produtores precisam começar a planejar um “plano B” diante do cenário incerto sobre o futuro da cultura do tabaco. Para ela, é necessário agir com prudência e antecipação, buscando alternativas de produção que possam garantir a sustentabilidade econômica das famílias rurais. Márcia destacou ainda que o setor financeiro cooperativo está disposto a apoiar projetos que incentivem novas atividades agrícolas,
Durante sua fala, ela lembrou um ensinamento de seu pai: “O segredo é a diversificação”, reforçando que apostar em diferentes culturas pode ser o caminho mais seguro para o futuro do campo.
A prefeita de Canoinhas, Juliana Maciel, destacou durante o encontro a importância de defender os interesses dos fumicultores do Planalto Norte e reforçou que levará o manifesto elaborado pelos produtores às autoridades em Brasília. Segundo ela, é essencial que as demandas da região cheguem até os representantes federais, de forma que as decisões tomadas em Genebra considerem a realidade das famílias que dependem da cultura do tabaco.
Ao final do encontro, foi aprovado um manifesto conjunto dos produtores do Planalto Norte, com assinaturas que serão encaminhadas à delegação brasileira que participará da COP11 em Genebra. O documento defende o direito de continuidade da lavoura do tabaco.
A mensagem dos produtores foi clara: o setor não nega a necessidade de debate, mas cobra planejamento, diálogo e respeito à realidade rural. Sem uma estratégia concreta, o fim do tabaco pode significar o colapso econômico de uma das principais cadeias produtivas do interior catarinense.
O Portal da Cidade Canoinhas acompanhou o seminário e registrou os principais momentos do evento. As fotos estão disponíveis no link “fotos do evento”.
Após o evento foi servido almoço aos participantes.