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MERCADO DE TRABALHO

Qualificação vira ponto de conflito entre empresas e trabalhadores em Canoinhas

Salários baixos, cursos e exigências das vagas alimentam debate sobre oportunidades na cidade.

Publicado em 24/11/2025 às 14:50

Foto: (imagem ilustrativa gerada por IA)

Em Canoinhas, uma reclamação tem se repetido em conversas de corredor, grupos de WhatsApp e entrevistas de emprego. De um lado, quem procura vaga diz que os salários oferecidos não compensam o esforço de estudar. Do outro, empresários afirmam que falta gente preparada para assumir as funções que o mercado exige hoje.

Nos últimos meses, reportagens e levantamentos locais já mostraram que a escassez de pessoal com formação específica atinge diferentes segmentos da economia canoinhense, da indústria aos serviços e à gastronomia. Em muitos casos, vagas permanecem abertas por semanas à espera de alguém que domine o básico da função ou esteja disposto a aprender. 

O cenário local acompanha uma tendência observada em Santa Catarina e no restante do país. Estimativas da indústria apontam que o estado precisa qualificar ou requalificar centenas de milhares de trabalhadores em poucos anos para dar conta da demanda, principalmente em áreas técnicas.

 Ao mesmo tempo, pesquisas nacionais indicam que uma parcela significativa das empresas relata dificuldade para contratar profissionais com o perfil adequado, mesmo em um contexto de desemprego em queda. 

Na prática, isso significa que o empresário muitas vezes contrata alguém sem a formação desejada e precisa investir tempo e dinheiro em treinamento interno. Em Canoinhas, relatos de gestores mostram equipes inteiras formadas a partir do zero, com capacitação dentro da própria empresa, justamente porque é raro encontrar um candidato que chegue pronto para operar máquinas, lidar com sistemas ou atender o público de acordo com os padrões exigidos.

Do outro lado, há quem veja a conta de forma diferente. Trabalhadores e candidatos a emprego argumentam que, mesmo depois de fazer cursos, o retorno financeiro nem sempre acompanha o esforço. Em setores como comércio e serviços, especialmente em funções de entrada, ainda predominam jornadas longas, escalas de fim de semana e remunerações consideradas baixas por muitos profissionais. Estudos de entidades sindicais e do comércio em Santa Catarina apontam que a falta de políticas salariais mais atrativas também ajuda a afastar candidatos. 

O contraste fica ainda mais evidente quando se observa a oferta de cursos na cidade. Canoinhas conta com instituições públicas e privadas que oferecem formações técnicas, qualificações de curta duração e especializações em áreas como administração, tecnologia, indústria e serviços. 

 Mesmo assim, muitas turmas não lotam, e há casos em que vagas gratuitas permanecem abertas, enquanto empresas seguem com dificuldade para preencher seus quadros.

Especialistas em mercado de trabalho ouvidos em estudos regionais destacam que a solução passa por um ajuste fino dos dois lados. Para os trabalhadores, investir em formação continua sendo um diferencial concreto para disputar melhores postos, especialmente em setores que pagam mais para funções técnicas e de maior responsabilidade. Para as empresas, políticas salariais mais claras, planos de carreira e ambientes de trabalho organizados tendem a reduzir a rotatividade e a atrair profissionais dispostos a permanecer.

Em meio a esse impasse, Canoinhas vive um paradoxo cada vez mais visível: sobram vagas em algumas áreas e sobram pessoas em busca de uma chance em outras. O debate sobre qualificação, salários e expectativas pode ser um ponto de partida para aproximar quem oferece oportunidades e quem precisa delas, diminuindo a distância entre o discurso do “ninguém quer trabalhar” e o desabafo de quem sente que “não vale a pena estudar para ganhar tão pouco”.

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