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COLUNA ROBSON

Até quando o cidadão vai pagar tanto para receber tão pouco em troca

COLUNA ROBSON CALIXTO: Semana do Imposto Zero expôs o peso dos tributos no bolso dos catarinenses e reacendeu a cobrança por mais retorno à população

Publicado em 29/05/2026 às 18:23
Atualizado em

Foto ilustrativa - desenvolvida por IA

EMPRESÁRIO E JORNALISTA

ROBSON CALIXTO

Este texto reflete exclusivamente a opinião do autor, Robson Calixto dos Reis. As ideias e posicionamentos apresentados nesta coluna são pessoais e não representam, necessariamente, a linha editorial do Portal da Cidade. O objetivo é provocar reflexão e debate a partir da vivência e da realidade da nossa região.

EMPRESÁRIO E JORNALISTA

Há algo que precisa ser dito com clareza.

O catarinense trabalha demais.

Paga demais.

E recebe muito pouco em troca.

A Semana do Imposto Zero, realizada em Santa Catarina, serviu para escancarar uma realidade que muita gente sente no bolso, mas nem sempre percebe no detalhe.

O imposto está em tudo.

Na gasolina.

Na comida.

No remédio.

Na roupa.

No material escolar.

E até no chocolate que uma criança compra na venda da esquina.

Ela talvez nem saiba.

Mas paga.

O trabalhador paga quando recebe o salário. Paga quando abastece o carro. Paga quando vai ao mercado. Paga quando compra qualquer produto. Paga quando tenta empreender. Paga quando simplesmente vive.

E a pergunta é inevitável.

Quanto mais o cidadão aguenta?

Segundo o cálculo do Dia da Liberdade de Impostos, o brasileiro trabalha praticamente cinco meses do ano apenas para pagar tributos. É como se até agora boa parte da vida produtiva do cidadão tivesse sido destinada ao governo.

Cinco meses.

É muito.

E o problema não é apenas pagar imposto.

O problema é pagar muito e receber pouco.

Porque imposto deveria voltar em saúde decente, educação de qualidade, segurança pública eficiente, estradas melhores, atendimento digno e serviços públicos que funcionem.

Mas é isso que vemos?

Sinceramente, em muitos momentos, parece que não.

O brasileiro paga imposto de país rico.

Mas, muitas vezes, recebe serviço de país que trata o cidadão como número.

A Semana do Imposto Zero tem esse mérito. Ela mostra, na prática, o quanto de tributo está escondido nos preços. Quando um produto aparece sem imposto, o consumidor percebe que o problema não está apenas no comerciante, no posto ou no mercado.

Está também no peso do Estado.

E esse peso sufoca.

Sufoca a família.

Sufoca o trabalhador.

Sufoca o empresário.

Sufoca quem tenta crescer.

Em Santa Catarina, essa discussão fica ainda mais séria quando olhamos para o pacto federativo. O Estado produz, trabalha, exporta, gera emprego e manda bilhões para a União. Mas o retorno proporcional é pequeno diante do que Santa Catarina entrega ao país.

Essa conta precisa ser discutida com coragem.

Por que Santa Catarina paga tanto e recebe tão pouco de volta?

Por que o catarinense trabalha, produz, empreende e ainda precisa conviver com estradas ruins, burocracia, filas e serviços abaixo do esperado?

Essa pergunta precisa ser feita.

E precisa ser feita por representantes de verdade.

Não basta aparecer em campanha dizendo que defende o povo. É preciso defender o contribuinte quando o assunto é imposto, gasto público, desperdício, privilégio e retorno do dinheiro arrecadado.

Porque o cidadão já faz a parte dele.

Trabalha.

Paga.

Economiza.

Corta gastos.

Adia sonhos.

Conta moeda.

Enquanto isso, o Estado brasileiro segue caro, pesado e muitas vezes distante da realidade de quem sustenta essa máquina.

O caminho é simples.

Mais transparência.

Menos desperdício.

Mais eficiência.

Menos privilégio.

Mais fiscalização.

E mais respeito com quem paga a conta.

A Semana do Imposto Zero está finalizando.

Que pena! Foi só um sonho real, mas rápido demais!

Mas a conta continua chegando todos os dias.

No mercado.

Na farmácia.

No posto de combustível.

Na empresa.

Na vida de cada brasileiro.

A pergunta que deixo ao leitor é esta:

Até quando vamos aceitar trabalhar meses para sustentar um Estado que nem sempre devolve o mínimo que deveria?

Porque quando o governo cobra muito e entrega pouco, quem paga a conta não é uma estatística.

É o cidadão.


Fonte:

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