Há algo que precisa ser dito com clareza.
O catarinense trabalha demais.
Paga demais.
E recebe muito pouco em troca.
A Semana do Imposto Zero, realizada em Santa Catarina, serviu para escancarar uma realidade que muita gente sente no bolso, mas nem sempre percebe no detalhe.
O imposto está em tudo.
Na gasolina.
Na comida.
No remédio.
Na roupa.
No material escolar.
E até no chocolate que uma criança compra na venda da esquina.
Ela talvez nem saiba.
Mas paga.
O trabalhador paga quando recebe o salário. Paga quando abastece o carro. Paga quando vai ao mercado. Paga quando compra qualquer produto. Paga quando tenta empreender. Paga quando simplesmente vive.
E a pergunta é inevitável.
Quanto mais o cidadão aguenta?
Segundo o cálculo do Dia da Liberdade de Impostos, o brasileiro trabalha praticamente cinco meses do ano apenas para pagar tributos. É como se até agora boa parte da vida produtiva do cidadão tivesse sido destinada ao governo.
Cinco meses.
É muito.
E o problema não é apenas pagar imposto.
O problema é pagar muito e receber pouco.
Porque imposto deveria voltar em saúde decente, educação de qualidade, segurança pública eficiente, estradas melhores, atendimento digno e serviços públicos que funcionem.
Mas é isso que vemos?
Sinceramente, em muitos momentos, parece que não.
O brasileiro paga imposto de país rico.
Mas, muitas vezes, recebe serviço de país que trata o cidadão como número.
A Semana do Imposto Zero tem esse mérito. Ela mostra, na prática, o quanto de tributo está escondido nos preços. Quando um produto aparece sem imposto, o consumidor percebe que o problema não está apenas no comerciante, no posto ou no mercado.
Está também no peso do Estado.
E esse peso sufoca.
Sufoca a família.
Sufoca o trabalhador.
Sufoca o empresário.
Sufoca quem tenta crescer.
Em Santa Catarina, essa discussão fica ainda mais séria quando olhamos para o pacto federativo. O Estado produz, trabalha, exporta, gera emprego e manda bilhões para a União. Mas o retorno proporcional é pequeno diante do que Santa Catarina entrega ao país.
Essa conta precisa ser discutida com coragem.
Por que Santa Catarina paga tanto e recebe tão pouco de volta?
Por que o catarinense trabalha, produz, empreende e ainda precisa conviver com estradas ruins, burocracia, filas e serviços abaixo do esperado?
Essa pergunta precisa ser feita.
E precisa ser feita por representantes de verdade.
Não basta aparecer em campanha dizendo que defende o povo. É preciso defender o contribuinte quando o assunto é imposto, gasto público, desperdício, privilégio e retorno do dinheiro arrecadado.
Porque o cidadão já faz a parte dele.
Trabalha.
Paga.
Economiza.
Corta gastos.
Adia sonhos.
Conta moeda.
Enquanto isso, o Estado brasileiro segue caro, pesado e muitas vezes distante da realidade de quem sustenta essa máquina.
O caminho é simples.
Mais transparência.
Menos desperdício.
Mais eficiência.
Menos privilégio.
Mais fiscalização.
E mais respeito com quem paga a conta.
A Semana do Imposto Zero está finalizando.
Que pena! Foi só um sonho real, mas rápido demais!
Mas a conta continua chegando todos os dias.
No mercado.
Na farmácia.
No posto de combustível.
Na empresa.
Na vida de cada brasileiro.
A pergunta que deixo ao leitor é esta:
Até quando vamos aceitar trabalhar meses para sustentar um Estado que nem sempre devolve o mínimo que deveria?
Porque quando o governo cobra muito e entrega pouco, quem paga a conta não é uma estatística.
É o cidadão.