Portal da Cidade Canoinhas

PALANQUE OCULTO

Notícias de jornais contratados pela Prefeitura foram parar nas redes de Juliana, diz MP

Documento aponta suspeita de ciclo de promoção pessoal com conteúdos produzidos pela estrutura pública

Publicado em 26/05/2026 às 17:27
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Foto ilustrativa - desenvolvida por IA

Esta é a décima e penúltima reportagem da série Palanque Oculto, do Portal da Cidade. A série explica, em linguagem simples, os principais pontos de um relatório de 746 páginas do Ministério Público sobre contratos de comunicação da Prefeitura de Canoinhas.

O documento apura se dinheiro público destinado à divulgação de atos oficiais teria sido usado, em tese, para promoção pessoal e política da então prefeita Juliana Maciel Hoppe, no período anterior à eleição estadual de 2026.

Nesta reportagem, o foco é o que o Ministério Público descreve como um ciclo de repercussão entre veículos contratados, canais oficiais da Prefeitura e redes sociais pessoais de Juliana.

Segundo o relatório, a suspeita é que parte dos conteúdos teria sido produzida ou encaminhada pela estrutura de comunicação da Prefeitura, publicada por webjornais contratados e, depois, usada nas redes sociais da então prefeita.

Em linguagem simples, seria um caminho em três etapas: primeiro o conteúdo sairia da estrutura pública, depois apareceria como notícia em um veículo privado e, por fim, seria compartilhado como se fosse uma reportagem independente.

Para o Ministério Público, esse movimento poderia dar aparência jornalística a materiais que, na origem, teriam relação com a comunicação oficial do município.

O relatório afirma que chamam atenção publicações e compartilhamentos, nas redes sociais particulares de Juliana Maciel, de notícias veiculadas por webjornais contratados pelo Município de Canoinhas e custeados com recursos públicos.

Um dos pontos citados envolve matérias do Primeira Página SC que teriam sido publicadas por Juliana em seu Instagram. O MP também aponta postagem com conteúdo semelhante ao divulgado por Blog do Espeto, Primeira Página SC, JMais e Jornal Liberdade.

O relatório menciona ainda que publicações feitas no Instagram de Juliana e em sites de veículos contratados teriam aparecido nas mesmas datas e com conteúdos semelhantes sobre obras e feitos da gestão.

Para a Promotoria, esse conjunto reforça a suspeita de que a comunicação pública teria sido usada para criar conteúdo favorável à imagem da então prefeita, publicar esse material em veículos contratados e depois reaproveitá-lo nas redes sociais pessoais.

O MP também analisou o site e as redes sociais oficiais do Município de Canoinhas. No site oficial, ao usar o filtro “Juliana Maciel”, foram encontradas 270 notícias publicadas a partir de agosto de 2025, segundo o relatório.

O próprio Ministério Público registra que, por causa do grande volume de publicações, não foi possível analisar uma a uma. Por isso, foram selecionadas aquelas com sinais mais explícitos de promoção pessoal, especialmente pelos títulos e imagens de capa.

Nas redes sociais oficiais da Prefeitura, o relatório afirma que também não foi possível fazer uma análise completa, porque o município publica diariamente muitos conteúdos. Mesmo assim, o MP aponta pelo menos publicações no Instagram e no Facebook com textos idênticos a notícias veiculadas por webjornais no mesmo período.

Um dos exemplos citados trata da renúncia de Juliana Maciel ao cargo de prefeita para concorrer a deputada estadual em 2026. Segundo o relatório, o texto teria citado a gestão da ex-prefeita de forma elogiosa e foi semelhante ao material publicado por veículos como Blog do Espeto, Primeira Página SC, JMais, Canoinhas Online e Correio do Norte.

Para a população entender: o problema não está em uma autoridade compartilhar uma notícia. O ponto investigado é se essa notícia foi produzida com estrutura pública, publicada por veículo pago com dinheiro público e depois usada para fortalecer uma imagem política pessoal.

O Ministério Público chama atenção para esse ciclo porque ele poderia transformar publicidade institucional em promoção pessoal. A informação deixa de parecer propaganda oficial e passa a circular como se fosse reconhecimento espontâneo da imprensa.

A dúvida central é simples: as publicações serviram para informar o cidadão ou para ampliar a visibilidade política de Juliana Maciel?

O Portal da Cidade entrou em contato com a ex-prefeita para comentar a investigação do Ministério Público, mas não obteve retorno.

A apuração segue em andamento.

Na próxima e última reportagem da série Palanque Oculto, o Portal da Cidade vai explicar quais consequências podem atingir agentes públicos, empresas contratadas e a pré-candidatura de Juliana Maciel, caso as suspeitas apontadas pelo Ministério Público sejam confirmadas.

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