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SAÚDE NO QUINTAL

Boldo: pequeno no quintal, gigante na tradição popular

Usado por muitas famílias para aliviar desconfortos digestivos, o boldo revela a força dos saberes caseiros e a necessidade de cuidado no uso.

Publicado em 04/05/2026 às 07:31

Foto ilustrativa - desenvolvida por IA

No quintal da avó, no vaso da cozinha ou naquele canto de terra perto do muro, o boldo costuma estar sempre por perto. Basta alguém reclamar de comida pesada, enjoo ou “fígado atacado” para surgir a recomendação: “faz um chazinho de boldo”.

A planta é uma das mais conhecidas da medicina popular brasileira. Seu gosto amargo, forte e marcante virou quase sinônimo de remédio caseiro para problemas digestivos leves. Em muitas famílias, o boldo é passado de geração em geração como um cuidado simples, acessível e ligado à memória afetiva do quintal.

Mas é importante saber: existem diferentes plantas chamadas popularmente de boldo. O boldo-do-chile é uma espécie bastante conhecida em farmacopeias e produtos fitoterápicos. Já nos quintais brasileiros, é comum encontrar o chamado boldo-brasileiro, também conhecido como boldo-da-terra ou falso-boldo, de folhas mais grossas e cheiro intenso.

Apesar das diferenças, o uso popular costuma ser parecido. O boldo é geralmente lembrado para aliviar má digestão, gases, enjoo leve e sensação de estômago cheio. Muitas pessoas tomam o chá depois de refeições pesadas ou quando sentem desconforto abdominal passageiro.

O preparo mais comum é a infusão. Em geral, usa-se uma folha fresca bem lavada em uma xícara de água quente. A água deve ser aquecida, o fogo desligado e a folha colocada em seguida. Depois, basta tampar, esperar alguns minutos, coar e beber morno.

Um erro comum, porém, é achar que quanto mais forte e amargo o chá, melhor. Não é bem assim. Plantas medicinais têm substâncias ativas, e o excesso pode fazer mal. O uso exagerado de boldo pode causar irritação no estômago, náuseas, vômitos e outros efeitos indesejados.

Também há pessoas que devem evitar o uso da planta. O boldo não é indicado para gestantes, crianças pequenas, pessoas com doenças graves no fígado, problemas importantes na vesícula biliar ou quem faz uso contínuo de medicamentos sem orientação profissional.

Outro cuidado importante é não usar o boldo para mascarar sintomas persistentes. Dor abdominal forte, vômitos frequentes, febre, olhos amarelados, urina muito escura ou mal-estar que não melhora precisam de avaliação em uma unidade de saúde.

No cultivo, o boldo é uma planta generosa. Cresce bem em vasos, jardineiras e canteiros, desde que receba boa luminosidade e não fique em solo encharcado. As folhas devem ser colhidas saudáveis, sem manchas, fungos ou sinais de contaminação.

O boldo mostra como o quintal pode guardar saberes importantes sobre cuidado e saúde. Mas também lembra que tradição e segurança precisam caminhar juntas. Usado com moderação e para desconfortos leves, ele segue como um dos grandes personagens da medicina caseira brasileira.

No Saúde no Quintal, o boldo entra como símbolo de uma farmácia viva que nasce perto de casa: simples, popular e cheia de história, mas que deve ser respeitada como toda planta medicinal.

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