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Produtores rurais enfrentam alta nas dívidas e crédito mais seletivo

Custos elevados, preços instáveis e crédito mais restrito seguem afetando o fluxo de caixa dos produtores

Publicado em 01/06/2026 às 15:45

Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

A inadimplência da população rural brasileira voltou a crescer e chegou a 8,2% no quarto trimestre de 2025, segundo levantamento divulgado pela Serasa Experian nesta segunda-feira (1º).

O índice representa alta de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024 e avanço de 0,2 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior.

O estudo considera dívidas de pessoas físicas ligadas ao meio rural, vencidas há mais de 180 dias e contraídas junto a empresas de setores relacionados ao agronegócio.

Segundo Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, o setor ainda enfrenta pressão financeira. Ele aponta que custos elevados, preços voláteis e crédito mais seletivo mantêm produtores com margens apertadas e fluxo de caixa comprometido.

Entre os perfis analisados, produtores sem informação de registro rural, grupo que pode incluir arrendatários ou integrantes de famílias e grupos econômicos, tiveram a maior taxa de inadimplência, com 9,9%.

Na sequência aparecem os grandes proprietários rurais, com 9,8%, os médios produtores, com 8,3%, e os pequenos produtores, com 7,8%.

A maior parte da inadimplência rural está concentrada em operações com instituições financeiras, que registraram taxa de 7,2%. Dívidas diretamente ligadas a fornecedores e empresas do agronegócio representaram 0,3%, enquanto outros setores ligados ao agro responderam por 0,2%.

Apesar disso, os maiores valores médios de dívida aparecem justamente nas operações relacionadas ao agronegócio. A dívida média com instituições financeiras chegou a R$ 115,5 mil no quarto trimestre de 2025. No setor agro, o valor médio alcançou R$ 138,2 mil.

Em áreas como transporte, armazenagem e seguros ligados ao agronegócio, a média ficou em R$ 32,6 mil.

Na análise regional, o Sul apresentou o menor percentual de inadimplência rural do país, com taxa de 5,7%. O Sudeste aparece em seguida, com 7,0%. Centro-Oeste e Nordeste registraram 9,6% e 9,4%, respectivamente.

A maior taxa foi observada na região Norte, onde a inadimplência rural chegou a 12,5%.

Entre os estados, o Rio Grande do Sul teve o melhor desempenho, com índice de 5,3%, seguido por Paraná e Santa Catarina. Na outra ponta, o Amapá registrou a maior taxa do país, chegando a 19,9%.

Segundo a Serasa Experian, o resultado gaúcho chama atenção diante das perdas recentes provocadas por eventos climáticos extremos. A explicação pode estar na presença de cooperativas, sistemas integrados, seguro agrícola e linhas de crédito para renegociação de dívidas.

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