Santa Catarina chegou à marca de 30 prefeitos presos no exercício do mandato desde agosto de 2020. O número foi alcançado após a prisão de Tiago Baltt, prefeito de Balneário Piçarras, nesta terça-feira, 19, durante a Operação Regalo.
O levantamento chama atenção porque representa mais de 10% dos 295 municípios catarinenses. A maioria das prisões ocorreu em operações de combate à corrupção, fraudes em licitações, lavagem de dinheiro e irregularidades em contratos públicos.
O caso mais recente envolve a investigação sobre suposto esquema de corrupção e fraude em obras públicas em Balneário Piçarras e São João Batista. A Operação Regalo foi deflagrada pelo GAECO e pelo GEAC, vinculados ao Ministério Público de Santa Catarina.
Histórico começou no Planalto Norte
O primeiro prefeito preso nesse recorte foi Orildo Antônio Severgnini, então prefeito de Major Vieira, em agosto de 2020, durante a Operação Et Pater Filium.
A mesma operação também atingiu outros municípios do Planalto Norte, como Bela Vista do Toldo e Canoinhas. Entre os nomes da região estão Adelmo Alberti, de Bela Vista do Toldo, e Beto Passos, de Canoinhas.
Depois, a Operação Mensageiro ampliou o alcance das investigações em Santa Catarina e concentrou a maior parte das prisões de prefeitos entre 2022 e 2024.
Na região, também aparecem na lista Luiz Henrique Saliba, de Papanduva, Adilson Lisczkovski, de Major Vieira, Luiz Shimoguri, de Três Barras, e Alfredo Cezar Dreher, de Bela Vista do Toldo.
Lista de prefeitos presos desde 2020
Conforme levantamento divulgado pelo g1 SC e dados já publicados anteriormente sobre prisões de prefeitos no estado, os nomes incluem gestores presos em diferentes operações e com desfechos distintos, como solturas, condenações, renúncias, reeleições ou processos ainda em andamento.
Orildo Antônio Severgnini, MDB, Major Vieira — Operação Et Pater Filium
Adelmo Alberti, antigo PSL, Bela Vista do Toldo — Operação Et Pater Filium
Beto Passos, PSD, Canoinhas — Operação Et Pater Filium
Deyvisonn Souza, MDB, Pescaria Brava — Operação Mensageiro
Luiz Henrique Saliba, PP, Papanduva — Operação Mensageiro
Antônio Rodrigues, PP, Balneário Barra do Sul — Operação Mensageiro
Marlon Neuber, PL, Itapoá — Operação Mensageiro
Antônio Ceron, PSD, Lages — Operação Mensageiro
Vicente Corrêa Costa, PL, Capivari de Baixo — Operação Mensageiro
Joares Ponticelli, PP, Tubarão — Operação Mensageiro
Luiz Carlos Tamanini, MDB, Corupá — Operação Mensageiro
Adriano Poffo, MDB, Ibirama — Operação Mensageiro
Adilson Lisczkovski, Patriota, Major Vieira — Operação Mensageiro
Armindo Sesar Tassi, MDB, Massaranduba — Operação Mensageiro
Patrick Corrêa, Republicanos, Imaruí — Operação Mensageiro
Luiz Shimoguri, PSD, Três Barras — Operação Mensageiro
Alfredo Cezar Dreher, Podemos, Bela Vista do Toldo — Operação Mensageiro
Felipe Voigt, MDB, Schroeder — Operação Mensageiro
Luiz Antônio Chiodini, PP, Guaramirim — Operação Mensageiro
Clézio José Fortunato, MDB, São João do Itaperiú — Operação Mensageiro
Douglas Elias Costa, PL, Barra Velha — Operação Travessia
Ari Wollinger, Ari Bagúio, PL, Ponte Alta do Norte — Operação Limpeza Urbana
Gustavo Cancellier, PP, Urussanga — Operação Terra Nostra
Clori Peroza, PT, Ipuaçu — Operação Fundraising
Fernando de Fáveri, MDB, Cocal do Sul — Operação Fundraising
Marcelo Baldissera, PL, Ipira — Operação Fundraising
Mario Afonso Woitexem, PSDB, Pinhalzinho — Operação Fundraising
Clésio Salvaro, PSD, Criciúma — Operação Caronte
Júnior de Abreu Bento, PP, Garopaba — Operação Coleta Seletiva
Tiago Baltt, MDB, Balneário Piçarras — Operação Regalo
Partidos com mais prefeitos presos
Entre os partidos citados no levantamento, o MDB aparece com o maior número de prefeitos presos, com nove casos. Na sequência aparecem PP, com seis, PL, com cinco, e PSD, com quatro.
Outras siglas, como antigo PSL, Patriota, Republicanos, Podemos, PT e PSDB, aparecem com um caso cada.
Operação Regalo
A prisão mais recente ocorreu na manhã desta terça-feira, 19, durante a Operação Regalo.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, a operação apura suposta organização criminosa, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro nos municípios de Balneário Piçarras e São João Batista.
A investigação aponta pagamento de propina vinculado a contratos públicos. Somente em Balneário Piçarras, os valores investigados chegam a aproximadamente R$ 485,9 mil.
O caso segue em apuração.