A Epagri lançou o alho SCS385 Pérola, novo cultivar que será disponibilizado aos produtores catarinenses para a safra de 2027. Considerado semi-nobre, o material apresenta características intermediárias entre os alhos do grupo comum (brancos) e do grupo nobre (roxos).
O principal diferencial do Pérola é a resistência a temperaturas mais altas, o que permite o cultivo em praticamente todas as regiões agrícolas de Santa Catarina. O desenvolvimento foi conduzido na Estação Experimental da Epagri em Caçador.
Segundo o engenheiro-agrônomo Renato Luís Vieira, pesquisador da unidade, o objetivo foi oferecer novas alternativas aos agricultores e possibilitar o plantio em regiões ainda pouco exploradas com essa cultura, mantendo o protagonismo catarinense na produção de alho de qualidade.
As sementes serão multiplicadas na Estação Experimental de Caçador e estarão disponíveis somente a partir de 2027. Interessados podem fazer reserva pelo e-mail eecd@epagri.sc.gov.br
Ou pelo telefone (49) 3561-6800.
Principais características
A produtividade pode chegar a 14 toneladas por hectare, conforme o manejo adotado. O ciclo médio é de 140 dias. A planta tem porte médio e folhas verde-claras. Os bulbos são arredondados, de coloração branco-pérola, e os dentes apresentam leve tonalidade arroxeada.

Santa Catarina é destaque nacional na produção de alho, com cerca de 700 hectares cultivados e mais de 2 mil famílias envolvidas na atividade. A previsão para a safra 2025/2026 é de 8.635 toneladas, volume 19% superior ao ciclo anterior.
A maior produção está concentrada no Planalto Catarinense, especialmente nos municípios de Curitibanos, Fraiburgo, Frei Rogério e Lebon Régis, que juntos respondem por mais de 80% da produção estadual.
Trajetória do Pérola
O SCS385 Pérola foi obtido a partir de variedades crioulas coletadas entre 1998 e 2005 em comunidades rurais do Sul do Brasil e incorporadas ao banco de germoplasma da Epagri.
A partir de 2015, pesquisadores iniciaram avaliações para identificar materiais com maior potencial produtivo. Em 2022, foram realizados testes de adaptação nas regiões Meio-Oeste, Alto Vale do Itajaí e Litoral catarinense.
Após apresentar bom desempenho nas diferentes condições, o cultivar foi registrado em 2025 no Ministério da Agricultura, recebendo o nome “Pérola” em referência à coloração dos bulbos.