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ROBSON CALIXTO

Algo mudou na Câmara de Canoinhas. E a população pode ganhar com isso

COLUNA ROBSON CALIXTO I Cobranças sobre trânsito, obras e contas municipais marcaram uma sessão que merece reconhecimento e continuidade

Publicado em 14/10/2026 às 12:39
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EMPRESÁRIO E JORNALISTA

ROBSON CALIXTO

Este texto reflete exclusivamente a opinião do autor, Robson Calixto dos Reis. As ideias e posicionamentos apresentados nesta coluna são pessoais e não representam, necessariamente, a linha editorial do Portal da Cidade. O objetivo é provocar reflexão e debate a partir da vivência e da realidade da nossa região. INSTAGRAM: @robsoncalixtoreis FACEBOOK: robsoncalixtodosreis

EMPRESÁRIO E JORNALISTA

Há algo diferente no ar.

E, desta vez, a diferença merece reconhecimento.

Na 58ª sessão da Câmara de Vereadores de Canoinhas, realizada em 13 de outubro, vi uma postura que há algum tempo venho cobrando neste espaço.

Vereadores discutindo problemas reais. Questionando respostas. Pedindo explicações. Buscando soluções para a população.

É assim que deve ser.

Quem acompanha minha coluna sabe que não economizo críticas quando vejo silêncio, acomodação ou pouca disposição para fiscalizar. Mas cobrar também exige reconhecer quando a postura muda.

Pelo andar da carruagem, minha impressão é que os bastidores políticos já se movimentam para 2028. Teria sido dada a largada?

Há quem esteja ficando de fora das conversas e dos possíveis acordos?

A sessão não permite afirmar isso, mas a mudança de postura chama atenção. Se essa disposição de cobrar continuar, vejo um caminho mais árduo para a prefeita Zenilda Lemos até o fim do mandato.

E, para a população, uma Câmara mais exigente é uma boa notícia.

E naquela sessão houve motivos para isso.

Um dos assuntos foi o projeto sobre a destinação dos fios de telefonia espalhados pela cidade, debatido após uma audiência pública. Um problema que provoca transtornos, oferece riscos e já foi relatado pelo Portal da Cidade.

Quem anda pelas ruas sabe: fio solto não é apenas uma paisagem feia.

É um problema que precisa de responsável e solução.

No trânsito, o vereador Ivan Krauss demonstrou insatisfação com as respostas dos requerimetnos que, segundo relatou, recebeu do Detracan sobre propostas para o município, entre elas a implantação de rotatórias.

Seu questionamento faz sentido.

Na avaliação de Ivan Krauss, as dimensões apresentadas na resposta seriam de uma rotatória de rodovia. Foi esse o motivo de sua indignação: ninguém é bobo de propor uma estrutura enorme onde não existe espaço. O que se cobra é avaliar rotatórias menores, como as que já existem na cidade, compatíveis com cada local, em vez de encerrar a discussão com uma resposta genérica.

Afinal, a solução para o trânsito de Canoinhas será sempre mais uma lombada?

Segundo Ivan, a cidade já não comporta tantas.

A vereadora Tati Carvalho acompanhou a cobrança e classificou as respostas da Prefeitura de Canoinhas aos requerimentos dos vereadores como “preguiça” ou “medo”, considerando mais provável a primeira hipótese.

A fala foi dura.

Mas expôs uma insatisfação que precisa ser ouvida: encaminhar um requerimento e receber uma resposta superficial não significa que o problema foi enfrentado.

André Flenik também cobrou soluções. O presidente da Câmara Jubanski subscreveu o requerimento, e Gil Baiano reforçou a importância de buscar alternativas no trânsito.

Foram citadas experiências de outras cidades, como Chapecó e Jaraguá do Sul.

Conhecer o que funciona em outros lugares pode ajudar. Cabe à administração estudar, explicar o que é viável e apresentar caminhos. Se uma proposta não serve, qual serve?

A população não pode ficar presa entre o problema que permanece e a resposta que não resolve.

Outra discussão merece atenção especial.

Tati apresentou preocupação com a evolução das contas municipais desde 2023. Segundo relatou, a análise feita com auxílio de colaboradores da Câmara apontou um crescimento expressivo do desequilíbrio financeiro mencionado: de cerca de R$ 1 milhão em 2023 para R$ 7 milhões em 2024, R$ 14 milhões em 2025 e aproximadamente R$ 23 milhões em 2026.

A própria vereadora fez ressalvas ao uso da palavra “déficit”.

Por isso, a pergunta precisa ser respondida com clareza: o que esses valores representam e como o município pretende encerrar o ano?

Quanto existe em caixa? Quais compromissos precisam ser pagos? Qual é a dimensão do problema?

Tati pediu informações e a presença do secretário responsável para explicar a situação, com apoio de Jubanski, André Flenik e Ivan Krauss.

É esse o caminho.

Documentos, números e explicações compreensíveis. Porque dinheiro público precisa ser acompanhado antes que a dificuldade se transforme em uma conta ainda maior para o cidadão.

Também percebi Tati mais acompanhada de outros vereadores nas cobranças.

Isso é positivo. Fiscalizar não pode ser uma tarefa solitária nem uma obrigação exclusiva da oposição. É responsabilidade de todos os vereadores.

Sobre Jubanski, presidente da Câmara, tenho ouvido de diferentes interlocutores elogios à sua atuação no cargo, à condução dos trabalhos e à organização da Casa, inclusive de pessoas que trabalham ou utilizam aquele espaço.

Esse reconhecimento merece registro.

Uma presidência atuante, que conduza os trabalhos com equilíbrio e permita cobranças independentemente do alinhamento político, faz bem à cidade.

Que eventuais favores, compromissos ou acordos políticos não atrapalhem esse trabalho. A população precisa estar à frente das decisões.

Não sei se algo mudou nos bastidores.

Mas vi uma sessão diferente.

E espero que essa disposição continue nos requerimentos acompanhados, nas respostas cobradas e nas soluções apresentadas.

Porque uma boa sessão merece elogio.

Uma Câmara que mantém essa postura merece a confiança do cidadão.

Ahhh, sobre os demais vereadores… Nem sei se compareceram. Nas filmagens que acompanhei, não apareceram nem participaram dessas discussões. Se estavam lá, a discrição foi tanta que passaram despercebidos.

Fonte: Robson Calixto dos Reis

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