Portal da Cidade Canoinhas

RELATO DE UMA MÃE

Mãe denuncia professora após filho de 4 anos passar a ter medo de ir ao CEI em Canoinhas

Família relata mudança brusca no comportamento da criança e diz ter descoberto depois novos detalhes sobre o que teria ocorrido na unidade

Publicado em 27/08/2026 às 07:34
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Foto ilustrativa - desenvolvida por IA

O que começou como a descoberta tranquila da vida escolar teria se transformado em meses de preocupação para uma família. Uma mãe procurou o Portal da Cidade para relatar o que teria ocorrido com o filho, de 4 anos, dentro do CEI Pedro Bandeira, unidade da rede municipal de ensino de Canoinhas.

O Portal preserva a identidade da mãe e da criança. 

Segundo a mãe, este foi o primeiro ano do menino frequentando uma unidade escolar. A expectativa inicial da família era de que a adaptação pudesse ser difícil, justamente porque a criança nunca havia vivido aquela rotina.

Aconteceu o contrário.

Nas primeiras semanas, conforme o relato, o menino gostava de ir ao CEI. Chegava em casa empolgado e contava aos familiares o que havia feito durante o período em que permanecia na unidade.

Com o passar do tempo, porém, a mãe afirma ter percebido uma mudança brusca.

O menino teria começado a ranger os dentes enquanto dormia e a apresentar pesadelos. Próximo ao horário de ir para o CEI, no período da tarde, não queria almoçar nem se vestir.

A resistência aumentava no momento de entrar no carro e, segundo a mãe, ficava ainda mais intensa quando chegavam à frente da unidade escolar.

“Ele se agarrava em mim e falava que não queria”

A mãe afirma que as dificuldades para deixar o menino no CEI eram presenciadas por outras pessoas que frequentavam a unidade, além de integrantes da própria equipe escolar.

Criança teria mencionado professora

Durante aquele período, segundo a família, o menino começou a dizer em casa que uma professora teria segurado nele com força e falado alto.

Os pais tentavam descobrir quem seria a profissional, mas a criança não conseguia informar o nome.

A mãe relata ter procurado a diretora do CEI, Michele Aparecida Leite, diversas vezes para falar sobre a mudança de comportamento. Segundo ela, a possibilidade apresentada pela unidade era de que a resistência pudesse estar relacionada ao apego à mãe e à adaptação à primeira experiência escolar.

A explicação, porém, não tranquilizou a família.

Diante da continuidade do comportamento, os pais buscaram ajuda profissional. O menino passou a realizar acompanhamento semanal com uma psicóloga particular.

Mesmo com a terapia, segundo a mãe, a resistência para frequentar a escola continuou.

Relato de outra criança mudou o rumo do caso

A situação ganhou um novo capítulo no dia 7 de julho deste ano.

Depois de deixar o filho no CEI, a mãe conta que foi abordada pela mãe de uma colega do menino da mesma turma. A mulher teria pedido para conversar reservadamente porque precisava contar algo.

Segundo o relato apresentado ao Portal, a filha dessa mulher, de 5 anos, vinha contando em casa havia algum tempo que teria presenciado uma professora entrar na sala do menino, segurá-lo com força e mandar que ele se calasse.

A menina também teria passado a demonstrar medo de frequentar a escola após presenciar a situação.

Para a mãe do menino, aquele relato trouxe uma informação importante: a professora apontada pela outra criança não seria responsável pela turma do filho.

Isso, na avaliação da família, explicaria por que o menino falava sobre uma professora, mas não conseguia dizer seu nome.

Pais procuraram novamente a direção

Ainda em 7 de julho, a mãe e o pai foram até o CEI e apresentaram a situação à direção.

Conforme a mãe, monitoras foram chamadas para conversar e inicialmente disseram não ter presenciado o episódio. A professora mencionada no relato também participou da conversa.

É neste ponto que a família afirma ter identificado contradições.

Segundo a mãe, a professora teria inicialmente dito que não conhecia a criança e, posteriormente, afirmado que a conhecia. Também teria negado ter entrado na sala e, depois, reconhecido que esteve no local, mas com a intenção de acalmar o menino.

Uma ata da reunião foi produzida e assinada, conforme o relato.

No dia seguinte, os pais foram chamados para uma reunião na Secretaria Municipal de Educação, com o secretário municipal de Educação, James Brey, para tratar do caso.

Segundo a mãe, antes do encontro com a família, a professora e a diretora do CEI já teriam apresentado a versão delas à Secretaria. À tarde, os pais relataram o que sabiam até aquele momento.

Informação posterior surpreendeu a família

A mãe afirma que, no dia seguinte, teve acesso, por intermédio de terceiros, a um conteúdo que teria sido compartilhado por engano pela diretora da unidade em um grupo de vendas da cidade.

O documento estaria relacionado a um registro da ocorrência e apresentava informações que a família diz não conhecer até então.

No conteúdo desse documento, monitoras teriam procurado posteriormente a direção e informado que haviam presenciado a professora de outra turma entrar na sala, colocar o menino sobre um balcão, segurá-lo e mandar que se calasse.

Ainda segundo a mãe, o relato registrado mencionaria que a professora estava com uma garrafa e teria jogado água no rosto da criança.

Para a família, o ponto que precisa ser esclarecido é por que informações que teriam surgido depois da primeira reunião no CEI não foram comunicadas aos pais durante o encontro realizado posteriormente na Secretaria de Educação.

Família diz que professora foi afastada

Segundo a mãe, posteriormente a família recebeu a informação de que a professora teria sido afastada e que o caso estaria sendo apurado administrativamente.

Ela afirma ainda que a profissional apresentou atestado médico de 30 dias após o episódio e posteriormente um novo afastamento por 60 dias.

Enquanto aguarda respostas, a família afirma que o menino continua realizando acompanhamento psicológico.

A mãe relata que existem dias em que a criança está tranquila, mas outros em que volta a demonstrar comportamentos que preocupam os pais.

Para ela, a busca por esclarecimentos não se limita ao que teria acontecido com o próprio filho.

“Eu não estou fazendo isso só pelo meu filho, mas por quantas outras crianças já passaram por isso e que poderiam vir a passar.”

O Portal da Cidade entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Canoinhas e solicitou esclarecimentos sobre o caso. A resposta oficial encaminhada pelo Município será reproduzida na íntegra nesta reportagem.

Cabe destacar que, conforme orientação da administração municipal em relação ao Portal da Cidade, a comunicação do veículo com secretários e demais integrantes da administração não pode ocorrer de forma direta, devendo ser intermediada pela Assessoria de Imprensa da Prefeitura. Por esse motivo, o Portal não obteve manifestações individuais da professora citada no relato, da diretora do CEI Pedro Bandeira, Michele Aparecida Leite e do secretário municipal de Educação, James Brey, sobre os fatos apresentados pela família.

O espaço permanece aberto para os esclarecimentos das pessoas citadas, respeitados os canais de comunicação estabelecidos pela administração municipal.

NOTA NA ÍNTEGRA

"A Secretaria Municipal de Educação informa que a professora foi afastada das atividades em sala de aula e está respondendo a sindicância instaurada para apurar os fatos.

Foi registrado boletim de ocorrência e o caso levado ao Conselho Tutelar por orientação da SME.

A família foi acolhida pela SME a fim de explicar sobre o andamento da sindicância. 

Mais detalhes não serão divulgados pela SME para preservar a criança de acordo com o ECA e a lei geral de proteção de dados.

Foi oferecido psicólogo à família e à criança, que preferiu atendimento em psicóloga particular que já atende a criança.

O Município não compactua com qualquer forma de violência e reforça que a situação está sendo tratada com a seriedade necessária. Como o procedimento está em andamento, não serão antecipadas conclusões sobre eventuais responsabilidades."

Fonte: Portal da Cidade Canoinhas

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