O canoinhense Francisco Dalmora Burgardt, caminhoneiro há mais de 30 anos e presidente da União Brasileira dos Caminhoneiros (UBC), falou com exclusividade ao Portal da Cidade Canoinhas sobre as discussões em torno de uma possível paralisação nacional que os caminhoneiros e o agro fariam e os recentes impactos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o piso mínimo do frete.
Burgardt esclareceu que a categoria não participa de nenhum movimento nacional previsto para esta semana. Segundo ele, as mobilizações mencionadas em redes sociais são organizadas por grupos sociais independentes, sem envolvimento direto dos caminhoneiros. “O momento é difícil, a economia está enfraquecida e o país enfrenta sérios problemas, mas parar agora é inviável”, destacou.
Apesar disso, o líder afirma que não está descartada uma paralisação futura, principalmente após a decisão do STF que enfraqueceu a lei do frete mínimo, conquistada pelos caminhoneiros em 2018. “A Receita Federal e a ANTT começaram a aplicar o piso em 6 de outubro. Quem pagasse abaixo do valor seria multado automaticamente, mas o STF derrubou essa obrigação, o que praticamente desmantela a lei”, explicou.
De acordo com Burgardt, o setor vive um cenário de queda na oferta de cargas, com caminhoneiros enfrentando leilões de frete para baixo, o que reduz a renda e precariza as condições de trabalho. Ele revelou que uma reunião nacional será realizada no fim de outubro para avaliar a situação e discutir possíveis medidas, como a decretação de estado de greve.
“Conquistamos direitos, mas precisamos lutar constantemente para que sejam respeitados. Se a Justiça não fizer cumprir a lei, o caminhoneiro continuará refém das transportadoras”, afirmou.
O canoinhense também destacou que os caminhoneiros não se opõem às manifestações populares, mas não pretendem ser os responsáveis por iniciar movimentos de paralisação. “Se o povo for às ruas de forma consciente e pacífica, estaremos juntos, apoiando. O Brasil precisa mudar, mas com responsabilidade”, concluiu.