A Operação DNA do Crime, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público de Santa Catarina, resultou na prisão de oito pessoas e no bloqueio de um patrimônio milionário. A ação é um novo desdobramento da Operação Mensageiro.
Segundo a investigação, o grupo teria utilizado contratos públicos de coleta de lixo firmados com municípios catarinenses para movimentar recursos e ocultar patrimônio por meio de empresas, veículos e imóveis.
A empresa Saay’s Soluções Ambientais, apontada como principal fonte financeira do grupo, recebeu mais de R$ 113 milhões de entes públicos entre 2016 e 2025, conforme dados citados na investigação. Nenhum dos contratos investigados é da cidade de Blumenau.
Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de prisão e 15 mandados de busca e apreensão em Blumenau, Gaspar e Curitiba, no Paraná. A ação também resultou na apreensão de 95 veículos, no bloqueio de 19 imóveis e na indisponibilização de cerca de R$ 66 milhões.
Conforme o Gaeco, a empresária Schirle Scottini, de Gaspar, é apontada como líder da organização criminosa. A investigação afirma que ela exercia o comando administrativo e financeiro do grupo, mesmo sem aparecer formalmente como sócia de algumas empresas.
Entre os presos também está Arnaldo Müller Júnior, filho de Schirle e sócio majoritário da Saay’s. Segundo o Gaeco, ele atuava no setor logístico da empresa e teria participado da redistribuição de recursos dentro do grupo.
Yasmin Caroline Müller, filha de Schirle, advogada e empresária, também foi presa. A investigação a aponta como intermediária em operações societárias, negociações imobiliárias e transferências financeiras consideradas suspeitas.
Adriana Olinda Scottini, irmã de Schirle, é apontada como integrante da estrutura administrativa e financeira. Conforme o Gaeco, ela teria participado de movimentações patrimoniais e alterações em declarações fiscais.
Marcos Antônio Tanholi, companheiro de Adriana, foi identificado como administrador e sócio de empresas citadas na apuração. A investigação aponta indícios de crescimento financeiro incompatível com a realidade das empresas ligadas a ele.
Milani Crislei Tozzi Müller, esposa de Arnaldo, também foi presa. Segundo o Gaeco, ela atuava na área financeira da Saay’s e teria registrado movimentações de recursos envolvendo integrantes do grupo.
Outro preso foi Rafael Andrade Weber, engenheiro ambiental apontado como administrador formal de empresas que, de acordo com a investigação, seriam controladas por terceiros.
A oitava prisão envolve a advogada Daisy Cristine Neitzke Heuer, integrante da Comissão de Prerrogativas da OAB Subseção Blumenau. Ela não era alvo inicial da operação e foi presa em situação separada, por suspeita de ter alertado uma das investigadas sobre a ação.
Além dos presos, dois investigados foram alvo de mandados de busca e apreensão, sem ordem de prisão. A investigação segue para apurar a origem dos recursos, a movimentação financeira e a estrutura usada para ocultação de patrimônio.
Os envolvidos têm direito à ampla defesa e ao contraditório no decorrer do processo.