Portal da Cidade Canoinhas

PERFIS FALSOS

Perfis fakes em Canoinhas: quem são, de onde vêm e a quem interessam?

Contas sem identificação e com pouco histórico aparecem em debates e levantam dúvidas sobre quem realmente está por trás delas

Publicado em 20/08/2026 às 13:13
Atualizado em

Foto ilustrativa - desenvolvida por IA

Quem são? De onde vêm? Quem está por trás deles e por que aparecem justamente em determinadas discussões? A presença de perfis aparentemente falsos nas redes sociais tem chamado a atenção em Canoinhas, principalmente em publicações relacionadas a assuntos políticos e à administração pública.

São contas que, em alguns casos, apresentam características semelhantes: perfis aparentemente recentes, sem fotografias pessoais, com poucas informações públicas, perfil restrito, nomes aleatórios ou imagens genéricas que não permitem identificar claramente quem está por trás da conta.

Outro ponto que chama atenção é o comportamento. Após críticas ou posicionamentos contrários em determinadas publicações, contas com essas características aparecem nas discussões para contestar comentários, defender posições ou atacar opiniões de outros usuários.

A existência dessas características, isoladamente, não permite afirmar quem administra os perfis nem comprova que diferentes contas pertençam à mesma pessoa, grupo político ou organização. Mas o fenômeno levanta uma questão importante: quem está por trás dessas contas e qual é o objetivo de utilizá-las dessa maneira?

Quando vários perfis parecem agir da mesma forma

Uma das preocupações está na possibilidade de atuação coordenada, popularmente chamada de “fazenda de perfis falsos”.

Nesse tipo de estratégia, diferentes contas podem ser utilizadas para ampliar artificialmente determinada opinião, defender uma narrativa, elogiar alguém, rebater críticas ou atacar posicionamentos contrários, criando a percepção de que determinada manifestação possui apoio ou rejeição maior do que realmente existe.

Em período eleitoral, a discussão ganha ainda mais relevância. As redes sociais se transformaram em um dos principais ambientes do debate político, e comentários, compartilhamentos e outras interações ajudam a formar a percepção dos usuários sobre candidatos, governos e acontecimentos.

Liberdade de opinião não significa anonimato irrestrito

A legislação brasileira garante a liberdade de manifestação do pensamento, inclusive no ambiente digital. No período eleitoral, cidadãos também podem manifestar apoio, preferência ou crítica política nas redes sociais.

Mas liberdade de opinião não significa liberdade para agir anonimamente e sem responsabilidade.

No contexto eleitoral, a manifestação do pensamento na internet é livre, mas o anonimato é vedado. A Justiça Eleitoral também possui mecanismos para enfrentar conteúdos falsos, ofensivos ou gravemente descontextualizados, dependendo das circunstâncias de cada situação.

Para as Eleições 2026, as regras também contemplam medidas relacionadas a perfis comprovadamente falsos, apócrifos, automatizados ou vinculados a pessoas inexistentes quando utilizados em determinadas práticas irregulares.

Portanto, a discussão não está em impedir que alguém defenda um candidato, critique um adversário ou discorde de uma opinião. Discordar faz parte da democracia.

O problema começa quando uma identidade falsa é utilizada para esconder quem realmente está falando e, principalmente, quando essas contas servem para promover ataques, espalhar mentiras ou manipular artificialmente uma discussão.

O problema vai além de discordar de uma opinião

Uma pessoa identificada pode elogiar uma administração pública, criticar um governo, defender determinado candidato ou questionar uma publicação. Tudo isso integra o debate democrático.

A preocupação surge quando contas sem identificação são utilizadas para fabricar uma percepção artificial de apoio popular, promover ataques pessoais ou disseminar informações falsas, especialmente quando diferentes perfis apresentam comportamentos semelhantes.

Nesse cenário, fica cada vez mais difícil para o usuário distinguir uma manifestação espontânea de uma possível estratégia organizada de influência.

E é justamente aí que surge novamente a pergunta: quem são essas pessoas, de onde vêm esses perfis e quem se beneficia da atuação dessas contas?

Como denunciar

Quando um perfil é utilizado para disseminar possível desinformação eleitoral ou praticar irregularidades relacionadas às eleições, existem canais oficiais para comunicação dos fatos.

Em Santa Catarina, situações relacionadas à desinformação eleitoral podem ser encaminhadas à Ouvidoria do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pelo fone 127 (ligação gratuita) .

Sempre que possível, é importante preservar as provas antes de bloquear ou denunciar a conta. Capturas de tela, endereço do perfil, links das publicações, datas, vídeos e registros dos comentários podem contribuir para eventual apuração.

A Justiça Eleitoral também mantém ferramentas destinadas ao recebimento de alertas e denúncias relacionadas à propaganda eleitoral irregular e à desinformação, conforme a natureza da ocorrência.

Além disso, as próprias plataformas oferecem mecanismos para denunciar contas suspeitas, perfis falsos, conteúdos ofensivos e outras violações de suas regras.

Em uma eleição cada vez mais presente no ambiente digital, o cuidado precisa ir além de analisar aquilo que está escrito. Antes de acreditar em uma publicação ou entrar em uma discussão, também vale observar quem está falando, qual é o histórico daquela conta e por que aquele perfil existe.

Fonte: Portal da Cidade Canoinhas

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