Portal da Cidade Canoinhas

Fumicultor em risco

Convenções globais pressionam pelo fim da fumicultura e agricultor no limbo.

Convenções da ONU pressionam pelo fim do fumo, mas a inércia do governo deixa agricultores sem alternativas e defendendo seu único sustente.

Publicado em 21/08/2025 às 13:32
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Plantação de fumo - (Foto: Portal da Cidade Canoinhas)


As discussões globais sobre meio ambiente e saúde pública, simbolizadas pela recente COP10 de Controle do Tabaco no Panamá e pela futura COP30 do Clima em Belém, colocam uma pressão crescente sobre atividades tradicionais como a fumicultura. No entanto, para as mais de 15 mil famílias de pequenos agricultores do Planalto Norte de Santa Catarina, essa pressão soa distante e desconectada de sua realidade diária, onde o tabaco não é uma vilania, mas a garantia de sobrevivência.

A COP10, por exemplo, voltou a debater o Artigo 17 da Convenção-Quadro, que prega a busca por "alternativas economicamente viáveis" à plantação de fumo. A recomendação, embora bem-intencionada no papel, expõe uma falha crônica do poder público: a ausência de projetos concretos e eficazes de transição. Há décadas se discute a substituição da cultura do fumo, mas na prática, nenhuma outra lavoura ofereceu aos pequenos produtores da região a mesma combinação de rentabilidade por hectare, segurança de compra e suporte técnico que a cadeia integrada do tabaco proporciona.

O discurso oficial, muitas vezes, trata os fumicultores como um problema a ser eliminado, e não como parceiros em uma transição que deveria ser justa e gradual. As famílias produtoras de cidades como Itaiópolis, Canoinhas e Mafra não se opõem à diversificação por teimosia, mas por uma lógica de subsistência. Elas questionam: quem garantirá a compra de outra safra? Quem oferecerá o financiamento e a tecnologia para uma nova cultura se adaptar ao solo e ao clima local? Onde está o plano do governo?

Agora, com a proximidade da COP30, a fumicultura volta a ser alvo de críticas, desta vez pelo seu impacto ambiental. Contudo, a discussão novamente parece ignorar o fator humano e a responsabilidade do Estado. É fácil, de um palanque internacional, condenar uma atividade agrícola, mas é no chão da lavoura que a falta de habilidade e de vontade política se manifesta. Sem um plano de desenvolvimento regional sério, que inclua infraestrutura, pesquisa e garantia de mercado para outras culturas, a pressão das convenções globais se transforma em uma ameaça direta ao sustento de milhares de catarinenses.

No fim, os agricultores do Planalto Norte ficam presos em um paradoxo: são cobrados por uma mudança que eles não têm condições de liderar sozinhos e que o Estado, principal responsável por viabilizá-la, falha em promover. Defender a cultura do fumo, para eles, não é defender um produto, mas sim o direito de ter uma renda digna enquanto alternativas reais e seguras não saem do papel e das promessas vazias.

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