Faz um ano que Canoinhas viveu um dos episódios mais emblemáticos da política municipal recente. Em 8 de janeiro de 2025, a Câmara de Vereadores aprovou, em sessão extraordinária, um projeto de lei do Executivo, de autoria da prefeita Juliana Maciel Hoppe, que promoveu uma ampla reestruturação administrativa no município.
A proposta autorizou a criação de 42 cargos comissionados, além da ratificação de funções gratificadas e da criação de duas secretarias municipais. O que mais marcou aquele dia, porém, foi a forma como o projeto chegou ao plenário. Os vereadores tiveram menos de 24 horas para analisar um texto extenso, com de 500 de páginas, antes da votação.
A sessão ocorreu com a Câmara lotada, pessoas acompanhando os trabalhos e um clima de forte tensão. Apesar da presença popular expressiva, grande parte dos moradores que estavam no local não tinha conhecimento detalhado do conteúdo do projeto, nem condições de avaliar se a medida seria benéfica ou não para a cidade, diante do curto prazo e da complexidade da proposta. Por isso, parte do público pedia o adiamento da votação.
Mesmo com manifestações contrárias e visível desconforto de parte do público, o projeto foi aprovado. Na prática, a posição da maioria da população presente acabou sendo vencida pelo resultado da votação, o que deixou uma sensação de frustração e impotência entre muitos canoinhenses.
Passado um ano, o episódio segue sendo lembrado não apenas pelo número de cargos e secretarias criadas, mas pelo debate que ele provocou sobre transparência, tempo de análise e participação popular em decisões que envolvem aumento de gastos públicos.
Hoje, a reflexão que se impõe é sobre os efeitos concretos dessas escolhas. A população sentiu melhorias significativas na saúde pública? As estradas urbanas e do interior apresentam melhores condições? A infraestrutura do município avançou de forma perceptível no cotidiano?
A lembrança da sessão de 8 de janeiro de 2025 permanece como um marco para Canoinhas, não para reviver o embate político, mas para reforçar a importância de que decisões de grande impacto financeiro sejam acompanhadas de clareza, diálogo e tempo suficiente para que a sociedade compreenda e participe do debate.
Votaram favoravelmente ao projeto os vereadores:
Rosi Crestani Nega
Marcos Homer
Andre Flenik
Jubanski
James Brey
Dr Ivan
Votaram contrariamente ao projeto os vereadores:
Enfermeira Kátia
Tati Carvalho
Cesão do Taxi
Vereador ausente:
- Gil Baiano
(Os nomes estão organizados por posição de voto e, dentro de cada grupo, em ordem decrescente de votos recebidos na eleição.)