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POLÍTICA

Vereador denuncia favorecimento político e cobra igualdade no atendimento em Canoinhas

Discurso cobrou respeito ao contribuinte e criticou suposta seleção política de demandas

Publicado em 14/04/2026 às 11:29

Foto: Divulgação

Um discurso feito na tribuna da Câmara de Vereadores de Canoinhas elevou o tom das críticas sobre a forma como pedidos da população estariam sendo tratados dentro da administração pública. Ao abordar a situação de uma estrada da localidade de Fartura, o vereador Gil Baiano afirmou que demandas encaminhadas por parlamentares que não integram a base do governo acabam ficando para trás, enquanto pedidos de vereadores da situação teriam preferência.

A fala foi além da reclamação sobre manutenção de estrada. O vereador apontou o que considera um problema mais profundo: a suposta utilização política da máquina pública para escolher quem será atendido e quem ficará esperando. Na avaliação dele, esse tipo de conduta atinge diretamente a população, já que o pedido não pertence ao vereador, mas ao morador que paga impostos e depende do serviço público.

Durante o pronunciamento, Gil Baiano afirmou ter ouvido do secretário de Obras, Leandro Pires, que ele estaria proibido de executar serviços ligados a pedidos feitos por vereadores que não são da situação. A declaração, feita em plenário, adiciona gravidade ao debate, porque levanta questionamentos sobre impessoalidade administrativa e sobre o uso da estrutura pública com critério político. O vereador sugeriu, inclusive, que uma prática desse tipo pode configurar irregularidade.

Ao defender sua posição, o parlamentar reforçou que todos os cidadãos devem ser tratados com o mesmo valor pelo poder público, independentemente de quem levou a demanda até a prefeitura. Segundo ele, não existe imposto de primeira e imposto de segunda categoria, e por isso também não deveria existir atendimento de primeira para aliados e abandono para quem está fora do grupo político do governo.

O caso citado por Gil envolve uma estrada que dá acesso a 32 famílias na Vila Fartura. Segundo ele, a comunidade pediu manutenção ainda no ano passado, durante uma audiência pública, mas o serviço não saiu do papel. O vereador relatou que o problema não está em falta de importância da via, já que se trata de estrada pública municipal, mas sim na ausência de vontade política para atender determinados pedidos.

Na tribuna, Gil também fez uma distinção entre o que atribui ao governo anterior e o que espera da atual gestão. Sem esconder o tom crítico, ele disse que a prática de barrar atendimentos não pode continuar e afirmou esperar que a prefeita Zenilda tenha postura diferente, rompendo com decisões que, segundo ele, prejudicaram comunidades inteiras por motivação política.

A fala expõe uma questão sensível e recorrente em administrações municipais: até que ponto o atendimento à população segue critérios técnicos ou passa a depender da afinidade política de quem pede. Quando um vereador afirma, em plenário, que obras públicas estariam sendo filtradas pela posição partidária de quem protocola a demanda, o problema deixa de ser apenas administrativo e passa a tocar no princípio mais básico da gestão pública: o de que todos devem ser atendidos de forma igual.

No centro da crítica feita por Gil Baiano está justamente essa cobrança. Para ele, a prefeitura não pode escolher onde agir com base em alinhamento político. Se o pedido é legítimo, se a estrada é pública e se a comunidade precisa, a resposta do poder público deveria ser a mesma, venha a solicitação de um vereador da base ou da oposição.

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