ARBORIZAÇÃO URBANA
Antes e depois: poda drástica muda cenário da Praça da Cuia em Canoinhas
Prefeitura admite intervenção drástica e diz que decisão foi baseada na experiência prática da Secretaria de Meio Ambiente
Publicado em
06/09/2026 às 09:58
Atualizado em
Quem passa pela Praça Lauro Müller, conhecida como Praça da Cuia, no Centro de Canoinhas, encontra uma paisagem completamente diferente. Plátanos que formavam grandes copas e proporcionavam sombra ao espaço público agora estão praticamente sem folhas e sem os ramos que compunham suas copas.
Imagens do antes e depois mostram a dimensão da mudança. Nos exemplares que receberam a intervenção mais severa, restaram basicamente os troncos e partes dos galhos principais.
A situação também chamou a atenção de frequentadores. Uma moradora ouvida pelo Portal da Cidade reagiu ao ver o resultado: “Meu Deus, é um absurdo isso. Uma praça tão bonita, conseguiram deixar ela feia.”

Mas a questão vai além da estética. Com a retirada das copas, perdem-se imediatamente o sombreamento, parte do conforto térmico e estruturas utilizadas por pássaros e outros animais para pouso, abrigo e, eventualmente, nidificação. A intervenção ocorre ainda a poucos meses do verão, quando a sombra das árvores ganha ainda mais importância para quem utiliza a praça.
Poda drástica pode trazer consequências
Estudo envolvendo pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), ao analisar árvores submetidas a podas drásticas no Sudoeste do Paraná, identificou emissão de numerosos ramos epicórmicos e desequilíbrio nos exemplares avaliados. Os pesquisadores destacam que o tipo de poda interfere diretamente no desenvolvimento e vigor das árvores urbanas.
Isso significa que uma árvore pode até apresentar grande quantidade de brotos após uma intervenção severa, mas essa reação não significa necessariamente recuperação saudável.
A preocupação também aparece em referências de manejo da arborização urbana, que alertam para consequências de podas excessivas, como desequilíbrio entre copa e raízes, ferimentos de difícil cicatrização, possibilidade de deterioração nos pontos de corte e formação de novas brotações com estrutura mais frágil.
No caso da Praça da Cuia, a Prefeitura afirma que a intervenção ocorreu devido a uma forte infestação de erva-de-passarinho. O parasita realmente pode enfraquecer árvores e seu controle pode exigir a retirada de ramos atingidos. A discussão, portanto, não está na necessidade de combater a infestação, mas na intensidade da poda escolhida e no respaldo técnico para realizá-la.
Legislação protege árvores de espaços públicos
A discussão também encontra respaldo na legislação ambiental.
O artigo 49 da Lei Federal nº 9.605/1998, a Lei de Crimes Ambientais, prevê responsabilização para quem destruir, danificar, lesar ou maltratar plantas de ornamentação de logradouros públicos. A existência dessa previsão não permite afirmar que houve crime no caso da Praça da Cuia, o que dependeria de avaliação técnica e apuração das circunstâncias da intervenção.
Santa Catarina também possui, desde julho deste ano, uma Política Estadual de Arborização Urbana. A Lei nº 20.045/2026 considera a arborização urbana bem comum de interesse público e reconhece sua importância para redução do calor, melhoria da qualidade do ar, biodiversidade e equilíbrio ecológico.
A legislação estadual reforça, portanto, que uma árvore existente em uma praça pública não exerce apenas função ornamental.
Prefeitura admite poda drástica
Procurada pelo Portal da Cidade, a Prefeitura de Canoinhas confirmou que o procedimento realizado foi uma poda drástica e afirmou que os plátanos estavam severamente comprometidos pela erva-de-passarinho.
Quando questionada sobre o embasamento técnico para uma intervenção dessa proporção, a administração respondeu que “a decisão foi baseada na experiência prática da Secretaria”.
Segundo a Prefeitura, uma árvore em condições semelhantes recebeu o mesmo procedimento no ano passado, apresentou boa recuperação e voltou a se desenvolver. O resultado teria motivado a aplicação da técnica nos demais exemplares.
O Portal perguntou ainda se houve avaliação técnica e qual profissional foi responsável. A Prefeitura informou apenas que as árvores foram avaliadas pela equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, sem identificar o profissional na resposta encaminhada.
Também foi questionada sobre a existência de laudos que justificassem uma poda dessa intensidade. A administração voltou a citar o elevado comprometimento pela erva-de-passarinho, mas não apresentou laudo técnico específico na resposta enviada ao Portal.
Outro ponto confirmado pelo município é que Canoinhas ainda não possui Plano Municipal de Arborização Urbana. Segundo a Prefeitura, os trâmites para elaboração do documento deverão começar neste segundo semestre.
Os serviços foram realizados por empresa terceirizada contratada pela Secretaria de Meio Ambiente. A Prefeitura afirma que acompanhará agora os plátanos para avaliar a recuperação e definir as medidas necessárias em cada caso.
Segundo o município, por se tratar de árvores exóticas, o manejo não dependeria de autorização.

Fonte: Portal da Cidade Canoinhas
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