ACIDENTE BR 280
Atropelamento expõe serviço da prefeitura em área do DNIT no trevo da BR-280
Acidente envolvendo trabalhador terceirizado expõe dúvidas sobre autorização, segurança e responsabilidades em área federal no trevo da BR-280
Publicado em
27/01/2026 às 19:18
Atualizado em
Um atropelamento registrado no trevo do portal de Canoinhas, na BR-280, em Canoinhas, levantou questionamentos que vão além do acidente em si: por que um serviço coordenado pela prefeitura, através da Secretaria de Meio Ambiente, estava sendo realizado em uma área sob responsabilidade do DNIT.
O caso aconteceu no início da tarde de 22 de dezembro de 2025. O trabalhador Amaro Colaço, 65 anos, funcionário registrado de uma empresa terceirizada que presta serviços ao município, foi atingido por um caminhão enquanto realizava o plantio de flores no canteiro central da rotatória. Ele sofreu fratura na perna e precisou de atendimento hospitalar.
O ponto central da apuração é a jurisdição do local. A rotatória integra a BR-280, rodovia federal cuja administração e autorização para intervenções cabem ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Pela legislação de trânsito e pelas normas que regem rodovias federais, atividades desse tipo costumam exigir planejamento prévio, autorização formal e a adoção de medidas de segurança específicas.
É nesse contexto que surge o relato do trabalhador ferido. Em entrevista, Amaro, afirmou que cumpria ordens repassadas pela chefia ligada ao setor de Meio Ambiente. Segundo ele, o plantio no canteiro não era uma ação isolada, mas parte das tarefas rotineiras executadas pela equipe terceirizada. Ele disse que já tinha conhecimento de que áreas próximas a BR-280 costumam ser de responsabilidade federal, mas que seguiu a determinação recebida.

No momento do acidente, quatro trabalhadores atuavam no local. De acordo com o relato, um caminhão bitrem perdeu a trajetória durante a manobra no trevo, subiu no meio-fio e invadiu o canteiro onde Amaro estava. Ele afirmou que não se encontrava sobre a pista, mas dentro da área de plantio. O que foi confirmado pelo laudo pericial de sinistro de trânsito da PRF
Em meio à manobra do caminhão, Amaro relata que ouviu um forte “estralo” na perna no momento do impacto. Ele caiu dentro do canteiro e, ainda no chão, disse ter se arrastado para longe do local por instinto, enquanto os colegas gritavam para que o caminhoneiro parasse. Segundo o trabalhador, a sensação naquele momento era de desorientação e dor intensa, até a chegada do socorro.
O trabalhador relata não ter recebido acompanhamento direto da empresa ou da prefeitura, tanto durante a internação quanto no período posterior. Segundo ele, a única ajuda recebida foi a compra de medicamentos feita pelo próprio caminhoneiro envolvido no acidente, ainda nos primeiros momentos após o ocorrido. Amaro afirma que é o único responsável pela renda de uma família de cinco pessoas e que, além do emprego com carteira assinada, complementava o sustento com serviços de roçada nos fins de semana. Com a fratura na perna, ele diz estar impedido de exercer essas atividades, o que agravou ainda mais a situação financeira da família.
O caso agora levanta uma série de questões administrativas e de segurança: houve autorização formal para o serviço em área federal, existiu planejamento de risco, quem responde pela segurança dos trabalhadores e quem assume a assistência ao funcionário ferido. Até o momento, a ausência de documentos que comprovem a autorização citada mantém essas perguntas em aberto.
Questionada, a Prefeitura de Canoinhas informou, por meio da assessoria de imprensa, que haveria uma autorização para o plantio no trevo, datada de 2023. No entanto, ao ser solicitada a cópia do documento e do planejamento técnico da atividade, o material não foi apresentado até o momento. O Portal da Cidade também entrou em contato com a empresa responsável, mas não obteve êxito.
A reportagem entrou em contato com o DNIT de Mafra em busca de informações sobre eventual autorização para o serviço. Inicialmente, o órgão solicitou que o contato fosse retomado mais tarde, pois não localizou o documento naquele momento. Em novo atendimento, o atendente informou que não localizou documento que autorizasse a prefeitura ou empresa terceirizada a realizar o plantio no local, orientando que a demanda fosse encaminhada à superintendência estadual, em Florianópolis. Diversas tentativas de contato com a unidade estadual foram feitas, sem retorno até o fechamento.
Fonte: Portal da Cidade Canoinhas
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