Portal da Cidade Canoinhas

ESTRADAS RURAIS

Em julho, morador de Canoinhas mapeou alagamentos; meses depois, problemas continuam

Documento indicou 10 pontos críticos e pediu vistoria, drenagem e medidas preventivas antes de novos episódios de cheia.

Publicado em 11/09/2026 às 08:23

Foto ilustrativa - desenvolvida por IA

As chuvas chegaram, os rios subiram e alguns dos problemas que moradores do interior de Canoinhas alertavam há meses voltaram a aparecer. A diferença é que, desta vez, o poder público não pode alegar desconhecimento.

Ainda em julho, Silvio Leonardo Plockacz decidiu percorrer comunidades rurais para identificar pontos com histórico de alagamento e dificuldades de trafegabilidade. Sem vínculo político-partidário, ele ouviu moradores, registrou locais, produziu fotografias, organizou mapas e mobilizou a população.

O trabalho terminou com 476 assinaturas e um levantamento inicial de 10 pontos considerados críticos. Em vez de ficar apenas na reclamação pelas redes sociais, Silvio transformou a cobrança em documento e levou o material aos órgãos públicos.


Em 14 de agosto, o requerimento foi oficialmente protocolado na Prefeitura de Canoinhas sob o Processo nº 7136/2026. Cópias também foram encaminhadas à Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, Defesa Civil e Câmara de Vereadores. O documento solicitava vistoria técnica, avaliação dos sistemas de drenagem e providências nos pontos identificados.

O cidadão não apresentou suas próprias conclusões como se fossem um projeto de engenharia. Pelo contrário. Pediu que os técnicos do Município fossem aos locais e verificassem o que precisava ser feito, incluindo eventual ampliação de bueiros, galerias, limpeza e melhoria da drenagem, recuperação das estradas ou outras soluções consideradas adequadas.

Ou seja, Silvio fez aquilo que estava ao alcance da comunidade: mostrou onde estavam os problemas, documentou, ouviu quem vive no interior e entregou as informações ao poder público.

Segundo ele, porém, nenhum dos pontos relacionados no levantamento recebeu até agora uma solução definitiva. Algumas intervenções chegaram a ocorrer no interior, mas, na avaliação do organizador, foram pontuais e quase irrisórias diante da dimensão dos problemas apresentados.

O Portal da Cidade procurou a Prefeitura de Canoinhas para saber quais providências foram tomadas a partir do Processo nº 7136/2026, quais locais receberam vistoria e se existe cronograma de obras. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta.

Quando a estrada para, o problema vai muito além da lama

A questão não pode ser reduzida a uma estrada ruim ou a um carro que precisa esperar a água baixar.

Quando um acesso rural é interrompido, uma ambulância pode ter dificuldade para chegar a uma emergência. O mesmo vale para equipes do Corpo de Bombeiros, transporte escolar, entrega de medicamentos, abastecimento das propriedades e deslocamento de trabalhadores.

Há ainda impacto econômico.

O interior de Canoinhas reúne produtores de leite, agricultores, granjas, criadores e outras atividades que dependem de transporte diário. Produtos perecíveis não podem simplesmente esperar vários dias até que uma estrada volte a permitir passagem. O leite, por exemplo, depende de coleta regular para seguir até a indústria ou cooperativa.

Uma estrada interrompida, portanto, pode significar produção parada, mercadoria perdida e dinheiro que deixa de circular.

É justamente isso que o abaixo-assinado alertava antes da atual sequência de chuvas.

Na região do Rio do Pinho, um dos pontos destacados no levantamento, Silvio voltou a registrar problemas com a elevação da água. Segundo ele, a estrutura existente para escoamento continua sendo uma das preocupações e necessita de avaliação técnica.

A prevenção que parecia apenas uma preocupação para os próximos meses tornou-se um problema presente.

Nesta semana, Canoinhas já registrou famílias que precisaram deixar suas casas em razão dos alagamentos. A elevação dos rios e o risco de novas áreas serem atingidas levaram inclusive ao cancelamento das festividades dos 115 anos do município. O Rio Canoinhas já havia atingido nível de atenção durante a semana.

E a situação meteorológica ainda exige atenção. A Defesa Civil alertou para temporais severos no Planalto Norte nesta sexta-feira (11), com possibilidade de chuva intensa, granizo e rajadas fortes de vento.

É nesse momento que o levantamento feito em julho ganha ainda mais peso.

Não é possível afirmar que uma intervenção específica impediria uma enchente, especialmente diante de volumes extremos de chuva. Mas também é difícil ignorar que os pontos vulneráveis estavam identificados, fotografados, mapeados e oficialmente entregues ao Município antes de a água voltar a subir.

“A população fez a sua parte. Agora, esperamos uma resposta e, principalmente, ações”, afirmou Silvio.

Não é a primeira vez que um morador tenta fazer a situação andar

O caso também lembra outra situação registrada recentemente pelo Portal da Cidade.

Em agosto, Lindomar de Oliveira, morador do Sítio dos Corrêa, cansou de esperar por melhorias em uma estrada utilizada por cerca de 11 famílias e procurou diretamente a Klabin. A empresa se dispôs a fornecer o cascalho necessário para aproximadamente três quilômetros de estrada, mas precisava que o Município avaliasse o trecho e informasse a quantidade de material.

Um representante da empresa chegou a se deslocar de Lages até a comunidade para uma reunião, mas o secretário municipal responsável não compareceu. Na ocasião, a situação travou justamente na etapa que dependia do Município. Posteriormente, a Prefeitura informou ao Portal que já havia conversado com a empresa e repassado a quantidade de material necessária.

São situações diferentes, mas com um ponto em comum: moradores estão deixando de apenas esperar e passaram a correr atrás de soluções para problemas que afetam suas próprias comunidades.

No caso dos alagamentos, um cidadão percorreu o interior, reuniu 476 assinaturas, entregou fotografias, mapas e locais para vistoria. Agora, enquanto a água volta a ocupar estradas e dificulta a vida de quem mora fora da área urbana, permanece uma pergunta difícil de evitar:

Quanto mais a população precisa fazer para que os problemas já conhecidos sejam enfrentados antes da próxima chuva?

Fonte: Portal da Cidade Canoinhas

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