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COLUNA ROBSON

Fesmate 2026: talvez a decisão mais responsável seja não realizar a festa

Enquanto a Operação Pão e Circo ainda apura um suposto esquema de fraudes em licitações de shows, Canoinhas precisa colocar a prudência acima da pressa

Publicado em 13/07/2026 às 12:33
Atualizado em

Foto: internet

EMPRESÁRIO E JORNALISTA

ROBSON CALIXTO

Este texto reflete exclusivamente a opinião do autor, Robson Calixto dos Reis. As ideias e posicionamentos apresentados nesta coluna são pessoais e não representam, necessariamente, a linha editorial do Portal da Cidade. O objetivo é provocar reflexão e debate a partir da vivência e da realidade da nossa região. INSTAGRAM: @robsoncalixtoreis FACEBOOK: robsoncalixtodosreis

EMPRESÁRIO E JORNALISTA

Há momentos em que fazer menos é um ato de responsabilidade.

E talvez Canoinhas esteja vivendo exatamente um desses momentos.

A Operação Pão e Circo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), estrutura especializada do Ministério Público de Santa Catarina, não investiga uma festa específica.

Investiga algo muito maior.

A suspeita de um cartel estruturado para fraudar licitações de shows, eliminar concorrentes, manipular preços e, conforme a investigação, contar com a participação de agentes públicos e empresários, além de possíveis práticas de corrupção e lavagem de dinheiro. Tudo isso ainda está sendo apurado e o processo segue sob sigilo.

E justamente por isso...

A prudência precisa falar mais alto.

Há cidadãos que já demonstram entender que, se houver qualquer risco para o município, talvez a melhor decisão seja não realizar a Fesmate em 2026.

E, sinceramente...

Concordo.

Não porque exista, até este momento, qualquer conclusão de que a futura Fesmate esteja irregular.

Não existe.

Também não estou afirmando que determinada empresa ou determinada pessoa esteja envolvida em eventual contratação futura.

Seria irresponsável dizer isso.

Mas existe uma investigação de grande proporção, feita pelo Gaeco, envolvendo o mercado de eventos em Santa Catarina.

Existe um empresário preso preventivamente.

Existem dezenas de mandados de busca.

Existem milhões de reais bloqueados por decisão judicial.

E existem contratos públicos sendo analisados pelos investigadores.

Diante desse cenário...

A pergunta é inevitável.

Vale a pena correr qualquer risco?

Será que Canoinhas precisa, neste momento, assumir o compromisso de organizar uma festa desse porte enquanto ainda existem tantas perguntas sem resposta?

Na minha opinião, não.

A cidade sobrevive sem uma edição da Fesmate.

Já passou por outras dificuldades.

Passará por essa também.

O que não pode acontecer é Canoinhas se colocar numa situação em que, meses depois, descubra que poderia ter evitado problemas simplesmente esperando um pouco mais.

Porque dinheiro público exige cautela.

E cautela nunca foi sinônimo de fraqueza.

Muito pelo contrário.

É demonstração de respeito com quem paga impostos.

O caminho, para mim, é simples.

Se ainda há investigações em andamento, suspenda.

Espere.

Deixe que o Ministério Público conclua seu trabalho.

Que cada responsabilidade seja individualizada.

Que quem errou responda.

Que quem não errou tenha seu nome preservado.

Depois disso, se houver total segurança jurídica, administrativa e moral, organiza-se uma nova licitação, amplamente concorrencial, transparente e sem qualquer sombra de dúvida.

Se isso não for possível a tempo...

Que não haja Fesmate este ano.

E digo mais.

Os recursos que seriam destinados ao evento poderiam, excepcionalmente, reforçar áreas onde a população sente necessidade todos os dias.

Saúde.

Infraestrutura.

Manutenção urbana.

Educação.

Há prioridades que não esperam.

Festa nenhuma vale mais do que a confiança da população.

Porque festas acontecem todos os anos.

A credibilidade de uma administração, não.

No fim das contas, a pergunta que deixo ao leitor é muito simples.

O que seria mais difícil para Canoinhas?

Passar um ano sem Fesmate...

Ou passar anos tentando explicar por que insistiu em realizar uma festa justamente quando a maior investigação sobre contratações de eventos da história recente de Santa Catarina ainda estava em andamento?

Às vezes, a decisão mais corajosa de um gestor não é fazer.

É saber esperar.

Porque quando o assunto é dinheiro público, prudência nunca será excesso.

Será sempre obrigação.

Fonte: Robson Calixto dos Reis

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