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ECONOMIA

Setor do tabaco alerta para risco de perder US$ 100 milhões com tarifa dos EUA

Entidades pedem ao governo federal que o tabaco seja incluído na lista de exceções à sobretaxa imposta pelos Estados Unidos

Publicado em 26/07/2026 às 12:12

Foto: SindiTabaco

Foto: SindiTabaco

O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) solicitaram ao Governo Federal que atue para incluir o tabaco na lista de exceções à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

O pedido foi formalizado em carta enviada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na sexta-feira (24), após uma audiência realizada dois dias antes com o ministro Geraldo Alckmin e técnicos da pasta.

Segundo as entidades, a manutenção da sobretaxa poderá provocar perda de competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano e reduzir significativamente as exportações do setor.

De acordo com dados apresentados na correspondência, os Estados Unidos já foram o terceiro principal destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques. Em 2025, essa participação caiu para 6%.

As exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 195,3 milhões em 2025, uma queda de 23,4% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram US$ 88,8 milhões, redução de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.

As entidades destacam que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram incluídos na lista de exceções à tarifa adicional dos Estados Unidos, enquanto o tabaco permaneceu sujeito à cobrança.

Segundo o setor, caso a medida seja mantida, compradores norte-americanos poderão ampliar as compras de países concorrentes, especialmente Zimbábue e Malaui, reduzindo a participação brasileira nesse mercado.

A estimativa é de que o Brasil possa perder aproximadamente US$ 100 milhões em exportações. A preocupação é ainda maior com o tabaco da variedade Burley, cuja comercialização internacional depende fortemente do mercado norte-americano e possui poucas alternativas de destino.

Além da redução nas exportações, SindiTabaco e Abifumo alertam para possíveis reflexos sobre centenas de pequenos produtores rurais, a geração de empregos e a arrecadação dos municípios cuja economia depende da cadeia produtiva do tabaco.

No documento, as entidades solicitam que todo o Capítulo 24 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que engloba o tabaco e seus produtos, seja incluído na lista de exceções à tarifa adicional aplicada pelos Estados Unidos e colocam-se à disposição do governo federal para colaborar tecnicamente na busca de uma solução.

Fonte: SindiTabaco

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