POLÍTICA E SUJEIRA
Política se faz com ideias e propostas, não pichando e sujando a cidade
COLUNA ROBSON CALIXTO I Cartazes contra Flávio Bolsonaro e pichações em Canoinhas reacendem o debate sobre os limites das manifestações políticas
Publicado em
22/10/2026 às 11:26
Atualizado em
Há algo de muito errado acontecendo na política.
E não estou falando de quem é de direita ou de esquerda.
Estou falando de respeito.
Respeito à cidade, ao patrimônio público e ao cidadão que trabalha, paga seus impostos e espera encontrar uma cidade limpa e organizada.
Nos últimos dias, Canoinhas e outros municípios do Planalto Norte foram surpreendidos com cartazes políticos espalhados por postes, placas de sinalização e outros espaços públicos.
O alvo das mensagens é Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República.

Em Canoinhas, também surgiram imagens e relatos de pichações com frases contrárias a Jair Bolsonaro, como "Bolsonaro nunca mais".
E aí vem a pergunta inevitável.
Desde quando danificar o patrimônio público virou uma forma aceitável de fazer política?
Uma coisa é manifestar opinião. Outra é sair pelas ruas colando cartazes onde não se deve, pichando estruturas e deixando para a população a responsabilidade de limpar aquilo que alguém resolveu sujar.
Na terça-feira (20), a Polícia Militar registrou uma ocorrência de dano ao patrimônio público na Rua Curitibanos, no Centro de Canoinhas.
Segundo a PM, cartazes foram fixados em postes, placas de trânsito e até na caixa de energia elétrica de uma escola. O adesivo utilizado era tão forte que provocou danos à pintura durante a retirada.
Câmeras registraram duas pessoas realizando a colagem durante a madrugada, mas elas não foram identificadas.
E quem vai pagar pelos prejuízos?
Quem vai limpar? Quem vai recuperar aquilo que foi danificado?
Porque é muito fácil fazer política quando a conta fica para os outros.
E o problema não se limita a Canoinhas. Cartazes semelhantes também apareceram em Mafra, Itaiópolis e Rio Negrinho.
A repetição chama a atenção. Quem está produzindo esse material? Quem está distribuindo? Existe alguma organização por trás dessas ações?
Mas há outra questão que me incomoda.
Recentemente, em São Paulo, durante uma manifestação pró-Lula, no dia 11 de outubro, três estações do Metrô foram atingidas por pichações e outros danos, conforme informou a própria companhia.
Mais uma vez, o patrimônio público acabou prejudicado em meio a uma manifestação política.
E aqui faço uma observação pessoal.
Ao longo dos anos, participei de diversas manifestações de direita. Vi famílias inteiras, trabalhadores, idosos, crianças e pessoas organizadas exercendo seu direito de manifestação.
O que presenciei foram pessoas preocupadas em respeitar os espaços públicos e os bens particulares.
Sinceramente, não me recordo de ter presenciado pichações ou depredações nesses atos.
Isso não significa que vandalismo não possa ocorrer em manifestações de qualquer lado. Mas os episódios recentes envolvendo atos identificados com a esquerda merecem a mesma cobrança firme que se faria contra qualquer outro grupo político.
Porque quem diz defender a população não pode aceitar que o patrimônio dessa mesma população seja danificado.
Outro ponto preocupante é o conteúdo dos cartazes.
Algumas mensagens envolvem aposentadorias, INSS e direitos sociais, assuntos que atingem diretamente idosos, trabalhadores e pessoas que dependem desses benefícios para sobreviver.
Mas onde estão as fontes? Quais propostas oficiais sustentam essas afirmações?
Não basta imprimir uma frase alarmante, colar em um poste e esperar que as pessoas acreditem.
Informação precisa de fundamento. Crítica precisa de argumento.
E quero deixar algo claro.
Não estou dizendo que Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Lula ou qualquer outro político esteja acima de críticas.
Muito pelo contrário.
Todo político deve ser questionado. Mas a democracia se faz com diálogo, propostas e respeito, não com pichações e danos ao patrimônio.
Se fosse contra Lula, minha cobrança seria exatamente a mesma.
O caminho é simples.
As autoridades precisam identificar os responsáveis, apurar a origem dos materiais e adotar as medidas legais cabíveis. Quem causou prejuízo deve responder por ele e reparar os danos, conforme a lei.
Ao grupo político, fica uma recomendação: querem convencer o eleitor? Apresentem propostas, discutam ideias e mostrem documentos.
Mas deixem a cidade fora dessa sujeira.
Canoinhas já tem problemas suficientes para resolver. Não precisa de mais um criado por quem confunde liberdade de manifestação com falta de respeito.
E deixo uma última pergunta ao leitor:
Se alguém não consegue respeitar aquilo que pertence à população, como pretende demonstrar respeito pela própria sociedade?
Porque quem realmente quer melhorar o Brasil deveria começar respeitando a cidade onde vive.
Fonte: Robson Calixto dos Reis
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