TERCEIRIZAÇÃO
Novas queixas atingem empresa ligada à gestão da UPA em Canoinhas
Trabalhadores relatam falta de data concreta para receber e cobram respostas sobre situação na unidade
Publicado em
09/06/2026 às 11:29
Atualizado em
RECLAMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS
Profissionais que atuam na UPA 24 horas de Canoinhas voltaram a relatar problemas envolvendo pagamentos e falta de previsão concreta para receber os valores referentes aos serviços prestados.
As novas reclamações envolvem colaboradores ligados à Maestria Serviços em Saúde, empresa contratada pelo IDEAS, instituto responsável pela gestão da unidade. Segundo relatos encaminhados ao Portal da Cidade, os episódios de incerteza sobre os repasses têm se repetido e gerado revolta entre trabalhadores.
Entre os profissionais que relatam preocupação estão técnicos de enfermagem, enfermeiros, técnicos de radiologia, auxiliares de farmácia e outros colaboradores que atuam no apoio ao atendimento da população.
De acordo com as denúncias, o combinado é que os pagamentos ocorram sempre no dia 20. No entanto, os trabalhadores afirmam que os atrasos têm sido recorrentes. Em reunião recente, os profissionais teriam sido informados de que não havia uma previsão concreta para o pagamento. Ainda conforme os relatos, foram citadas possíveis datas, como dias 22, 23 ou 25, mas sem confirmação definitiva.
Os profissionais afirmam que a instabilidade dificulta a organização financeira, já que contas pessoais e familiares dependem de uma data segura de recebimento. Um dos pontos que mais causou indignação, segundo os relatos, foi a orientação de que os colaboradores deveriam se organizar para não ficarem desprevenidos diante de possíveis atrasos.
A situação também reacende questionamentos sobre o modelo de vínculo adotado. Segundo os trabalhadores, eles não possuem registro em carteira e são classificados como sócios cotistas de um consórcio. Na prática, porém, afirmam que recebem conforme as horas trabalhadas.
Os profissionais também relatam não receber benefícios como vale-alimentação e adicional de insalubridade, mesmo atuando diretamente em uma unidade de saúde de atendimento 24 horas.
RECLAMAÇÃO JÁ HAVIA SIDO REGISTRADA
Esta não é a primeira vez que a Maestria aparece no centro de reclamações envolvendo pagamentos na UPA de Canoinhas.
Em abril, o Portal da Cidade mostrou que um comunicado interno da Maestria informou aos profissionais que não havia sido possível efetivar, até o dia 20 daquele mês, o repasse referente à competência de março aos chamados sócios cotistas. Na ocasião, a empresa alegou não ter recebido, até aquela data, a receita mensal relativa ao contrato de serviços prestados.
No mesmo comunicado, a Maestria descreveu que os valores eram pagos a título de antecipação de lucros, e não como salário tradicional. A empresa também informou que a sociedade era formada por profissionais da área da saúde que dividiam o capital social e prestavam serviços no interesse da própria sociedade.
À época, a Prefeitura de Canoinhas afirmou que a responsabilidade pelo pagamento era da empresa. O Município também informou que o pagamento à contratada não estava atrasado e seguia em dia, destacando que havia prazo de 30 dias para repasse após a emissão da nota fiscal.
Agora, com novos relatos de incerteza, os trabalhadores afirmam que o problema voltou a gerar insegurança entre as equipes que atuam na unidade.
TENTATIVAS DE CONTATO E COBRANÇA POR RESPOSTAS
Segundo os relatos encaminhados ao Portal, profissionais tentaram buscar respostas junto a representantes do poder público municipal, mas afirmam que ainda não tiveram retorno efetivo sobre a situação.
A principal cobrança dos trabalhadores é por clareza sobre a data de pagamento e sobre a responsabilidade pelos repasses. Eles também questionam as condições oferecidas a quem atua diretamente na linha de frente da saúde pública.
O caso levanta novamente o debate sobre terceirizações dentro da UPA e sobre a proteção dos profissionais que prestam serviços em uma área considerada essencial para a população.
IDEAS TAMBÉM ESTÁ SOB QUESTIONAMENTO
A situação ganha outro elemento de preocupação porque a Maestria é contratada pelo IDEAS, instituto responsável pela gestão da UPA de Canoinhas.
Em abril, o Portal da Cidade também mostrou que o IDEAS foi alvo de uma decisão da Justiça Federal que impede o instituto de participar de novos credenciamentos, licitações, chamamentos públicos e de firmar novos contratos com o poder público em todo o país.
A medida não trata diretamente do contrato já existente em Canoinhas, mas aumentou a pressão sobre a permanência do instituto na gestão da unidade.
Conforme documentos citados na reportagem anterior, a decisão está ligada a apuração federal e foi tomada diante de indícios de que o instituto estaria sendo utilizado para a prática de infrações penais.
OUTRO LADO
Procurada pelo Portal da Cidade, a Maestria Serviços em Saúde informou que não há atraso nos repasses aos profissionais. Em nota, a empresa afirmou que realizou recentemente uma reunião com as equipes para reforçar o modelo de atuação sócio-cotista, com o objetivo de garantir transparência e alinhamento entre as partes.
A Maestria também declarou que segue com suas operações normalmente e que mantém clareza na comunicação com profissionais e parceiros.
A Prefeitura de Canoinhas também se manifestou sobre o caso e informou que os repasses à empresa responsável estão em dia. Segundo o Município, não há pendências nos pagamentos de responsabilidade da administração municipal.
Fonte: Portal da Cidade Canoinhas
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